Crise e Queda da Monarquia

Nos finais do século XIX Portugal era um país predominantemente agrícola. A indústria não era de qualidade e nem competitiva, as importações eram superiores às exportações e a balança comercial era deficitária.

Deste modo o país apresentava um panorama negro no que diz respeito à economia, política e sociedade.

Não admira que Portugal também tenha entrado na grave crise económica e financeira que afectou toda a Europa. Esta foi uma crise que afectou gravemente Portugal, em especial os bancos e empresas.

As consequências reflectiram-se num grande descontentamento da população em especial a classe média e o operariado pois eram os mais atingidos pelos impostos, inflação e desemprego, baixos salários e muitas horas de trabalho diário.

Inevitavelmente as pessoas começaram a culpar a Monarquia destas medidas que afectavam todos em geral.

Neste contexto surge em Portugal a difusão das doutrinas socialistas e republicanas. O seu objectivo era transmitir novas ideias a fim de salvar o país da situação caótica em que se encontrava.

Queda da Monarquia

O partido socialista, foi então fundado em 1875 com vista a preparar a classe operária para novos ideais. Por outro lado o partido Republicano, constituído em 1876, pretendia a queda da Monarquia e substitui-la por uma Republica. Para divulgar o seu programa, utilizava a imprensa, os comícios e certas comemorações como a de Camões e Marquês de Pombal.

Ilustração da Proclamação da República Portuguesa (Autor: Desconhecido, imagem em domínio público)

Ilustração da Proclamação da República Portuguesa (Autor: Desconhecido, imagem em domínio público)

Os novos partidos políticos apoiavam-se no operariado e nas classes médias, descontentes com a sua situação.

Os republicanos preocupavam-se em reerguer o orgulho nacional e incutir uma nova esperança para o futuro. Assim, em 1891 fizeram uma tentativa de implantação da República na cidade do Porto. O rei D. Carlos entregou a chefia do governo a João Franco, que passou então a dirigir o país. Este facto desagradou aos republicanos e outros partidos.

A ditadura desenvolvida por João Franco levou a uma forte oposição à monarquia, tendo o rei D. Carlos e seu herdeiro Luís Filipe, sido assassinados no Terreiro do Paço em Lisboa. O trono foi ocupado por D. Manuel II e o ditador foi demitido.

Os revoltosos e opositores ao rei eram apoiados pelo partido republicano e no dia 5 de Outubro de 1910 proclamaram a Republica na varanda da Câmara Municipal de Lisboa.

A terminar esta conjuntura, salienta-se a fuga de D. Manuel e de D.ª Amélia, que desembarcaram na Ericeira para o exílio.

Depois de proclamada a Republica, constituiu-se um governo provisório, presidido por Teófilo Braga e redigiu-se uma nova Constituição Republicana.

O país foi ainda marcado por uma nova bandeira, um novo hino e uma nova moeda.

Com a entrada do novo regime, outras medidas marcaram a sua acção, como por exemplo a Laicização do Estado (separação da igreja e do Estado); nacionalização dos bens da Igreja, legalização do divórcio e a obrigatoriedade do registo civil aplicado aos nascimentos, casamentos e óbitos.

As diferenças acentuam-se ainda ao nível da educação ao se criarem escolas públicas, jardins-escola e escolas primárias, além da criação da Universidade de Lisboa e Porto. A escolaridade passa a ser obrigatória até aos sete anos. Assim, a taxa de analfabetismo foi reduzida e os níveis de ensino melhorados.

Para além da redução das despesas com a queda da monarquia, os republicanos preocuparam-se em pôr em prática os seus ideais de liberdade e igualdade.

A situação de Portugal melhorou muito com as medidas tomadas, em especial com a protecção à velhice e à doença, o direito à greve e a redução das horas de trabalho para 42 horas. Apesar de todo este esforço, o novo governo não foi capaz de impor o cumprimento de todas as medidas e o país resvalou para uma certa instabilidade política. Logo nos primeiros anos começou a apresentar divergências e desentendimentos com os seus dirigentes.

Isso fez com que começassem assim as rivalidades e as demissões por causa de as entidades patronais não porem o programa em prática.

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Publicado em História de Portugal, Monarquia Constitucional

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